Depois de anos trabalhando e somente permanecendo em minha cidade natal nas férias, certa vez decidi que era hora de fazer algo diferente. Decidi que iria para a Argentina por 10 dias, sozinho, sem nunca ter saído do país. Já havia visitado algumas cidades como Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte viajando de avião, mas nunca nessa distância, em férias ou mesmo indo para outro país. Na época tinha 24 anos, e já estava mais que na hora de uma viagem nas férias!

O objetivo deste texto não é contar minhas aventuras na Argentina, mas sim contextualizar uma situação: ir ou não viajar sozinho (a). Para outro país. Fui subestimado por diversas pessoas que comentavam que não aguentaria ficar em outro país dez dias, mas no meu caso isso trouxe mais motivação para planejar não só essa como as próximas aventuras.
Pouco mais de dez meses depois, uma aventura ainda maior. Decidi que viajaria para a Colômbia, por 14 dias. Colômbia? Mas você será sequestrado quando chegar no aeroporto…Lá só tem drogas e violência. Era o que muitos pensavam, guiados pela imagem estereotipada existente. Óbvio que a Colômbia e os demais países latinos possuem seus problemas, mas definitivamente ficar com medo e não viajar não ajudará em nada desmistificar estas idéias.

Sempre há uma certa insegurança por parte do viajante em fazer algo sozinho, mas depois de regressar ao Brasil após uma viagem maravilhosa, muitas coisas mudaram. Sair de sua zona de conforto é muito importante para o desenvolvimento pessoal, e nas viagens (a da Colômbia também fui sozinho) é a grande chance de você literalmente aprender a se virar, além de conhecer uma cultura nova e pasmem: centenas de outros viajantes na mesma situação, viajando sozinhos! Conversando com esses viajantes, as opiniões da família são basicamente as mesmas, muitas compostas por opiniões estereotipadas  a respeito das viagens e destinos escolhidos por nós.

Viajar sozinho é importante para aprender (ou finalmente entender) a respeitar as diferenças, pois o que mais você encontrará será diversidade. De tudo. De pessoas, gastronomia, costumes. É uma experiência que não é possível mensurar financeiramente (mesmo calculando os valores gastos na viagem após o final da mesma, este valor não é nada perto da satisfação de dizer: Eu consegui! Claro, as histórias e experiências que acumulamos contam muito também!).

Tudo depende da sua dedicação, planejamento financeiro e envolvimento na viagem, afinal, todos os detalhes devem ser pesquisados, você tem que aprender a antecipar possíveis problemas que possam surgir, portanto a leitura da experiência de outros viajantes é essencial! -“E se eu ficar doente??” -Contrate um seguro!  -“E se eu precisar de alguma assistência no exterior?” -Tenha os contatos da embaixada de nosso país. Estes são só dois exemplos de questionamentos comuns que surgem na fase de planejamento e decisão de viagem.

A questão de flexibilidade e liberdade que você terá viajando sozinho (a) é algo a se citar, já que você é seu guia, e segue o roteiro que quiser, na hora que puder. Além das mudanças na visão de mundo, você se torna uma pessoa com maior auto-confiança e consequentemente, as pessoas passam a te respeitar mais. E o principal: incentiva outros a também viajar sozinhos. Costumo dizer que viajar sozinho não é bem viajar “sozinho”, já que se viaja sem pessoas que se conhece, mas durante a viagem conhecemos muitos outras na mesma situação, e assim se criam novas amizades. (hostels são ambientes extremamente propícios para tal). Fiz inúmeras nos países que passei, além disso, o capital intelectual e cultural adquirido ninguém vai tirar de você.

Então se você ainda está com dúvidas ou está inseguro sobre começar a planejar uma viagem sozinho, o que digo é: Planeje já! Não ligue para o que os outros irão dizer. Para as mulheres talvez seja ainda mais complicado, inclusive já li inúmeras perguntas em grupos no Facebook ou outros blogs sobre “É seguro para uma mulher viajar sozinha pela América?”. Também encontrei diversas viajantes mulheres nas viagens então basta você querer e se motivar cada vez mais para isso!

Hoje em dia sou um viciado em viagens e defendo a América como destino a ser visitado sem medo. A bagagem cultural que você ganhará será imensa, além de aumentar sua rede de contatos pelo mundo e conhecer lugares maravilhosos. Você terá muitas histórias para contar. Então, o que está esperando? Comece a planejar!

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