Muitas pessoas ainda possuem certa resistência aos hostels, e quando comento que fico hospedado dias neles muitos imaginam que pode ocorrer algo nos moldes do filme “O Albergue” onde a qualquer momento poderei ser sequestrado e torturado até a morte. Mas na verdade chega bem longe disso. Sempre planejei minhas viagens sozinho na América, e isso passava obviamente pelo meio que me hospedaria, buscando sempre economia e um local com boa atmosfera social. Mas o que devemos levar em consideração ao escolher um hostel? A seguir, enumeramos nove itens a  considerar quando for definir este item tão importante em uma viagem:

 1.Primeiro de tudo, saiba o seu perfil

É chocante de início para alguém que toda a vida esteve no seu próprio quarto, sem companhias, com no máximo um irmão ou irmã, ou que só esteve em hotéis, ter 7, 10, ou até 13 outras pessoas compartilhando o mesmo espaço. É o que ocorre em alguns hostels, mas é claro que ficar nestes quartos depende muito do seu perfil de viagem. Se não tem muita preocupação com barulho e está desencanado e “de boa”, vá fundo e reserve nos dormitórios. Caso contrário, ainda é possível ficar em um hostel nos quartos individuais, os valores são maiores, e pode compensar pela experiência e infraestrutura social oferecida, mas particularmente, a menos que se viaje com mais uma pessoa, não julgo que é tão benéfico ficar em quarto individual sozinho em hostel, sendo o hotel uma opção mais viável para estes casos. Desta forma, procure identificar qual a quantidade de pessoas que seria ideal para o seu perfil, pois uma coisa é o barulho externo em alguns hostels, outra pior é o barulho dos seus companheiros de quarto no próprio recinto (o que na verdade é uma loteria, podemos encontrar hóspedes tranquilos ou mesmo barulhentos).

2. Localização

Isso vale para hotéis também, mas no caso do hostel é essencialmente importante, pois geralmente você não se dará ao luxo de ficar usando táxi a todo momento, e ter facilidade de acesso aos locais turísticos é algo benéfico visando economia financeira. Se a cidade oferece metrô (casos de Santiago e Medellín, por exemplo), estar próximo de uma estação ou de rotas de ônibus lhe renderá não só economia de tempo, mas também de dinheiro com deslocamentos maiores. Então levante os locais turísticos que pretende e visitar, e baseados neles, faça um roteiro da localidade do hostel até os mesmos (Google Maps pode ajudar nisso).

 3.Hostelworld e Trip Advisor são seus amigos, use-os

Estes dois serviços sempre me dão uma bela ajuda para escolher um bom hostel. Normalmente sempre escolho os que estão com rating (classificação) entre os 7 melhores, mas isso não significa que eles são os melhores. Já vi hostels em algumas cidades figurando nestas posições unicamente por possuírem poucas avaliações, mas positivas. Então como saber? Tente comparar os dois, Trip Advisor e Hostel World, caso um hostel figure entre os dez melhores nos dois sites é muito provável que ele seja realmente interessante para sua reserva. E o principal, nestes serviços você consegue ler as opiniões dos hóspedes depois da estada no local, logo, já consegue se precaver quanto a alguns problemas que pode enfrentar (claro que muitas das vezes são críticas que não estão necessariamente no controle do hostel, como velocidade da internet, por exemplo. Mas outras como tomadas escassas no quarto e limpeza são de grande valia). Depois de escolher os hostels favoritos para te receberem (normalmente coloco uns 5 no total), visite o site oficial dos mesmos (alguns podem não o ter) e tente realizar a reserva diretamente com o hostel. Também costumo olhar a frequência de resposta no Trip Advisor da gerência dos estabelecimentos, e se as redes sociais como Facebook são atualizadas diariamente. Se estes dois itens ocorrem, são pontos positivos para reserva no hostel em questão.

4. Verifique as atividades do hostel

Veja com o hostel quais as atividades diárias oferecidas. Muitos deles realizam atividades para promover integração entre os hóspedes, estes são os melhores para quem quer fazer amizades e trocar experiências viajando sozinho. Aulas de dança, campeonatos de sinuca, aulas de espanhol, jantares especiais, festas, todos estes são exemplos de atividades que se o hostel oferece em sua programação, é ponto para ele.

5. Verifique se o hostel oferece passeios

Algo bem cômodo é ter um hostel que organiza day-tours ou excursões nos arredores da cidade em que você visita, para que aí você não tenha que sair na rua para procurar uma agência que ofereça aquele passeio. Quanto maior a diversidade destes passeios, melhor para o hóspede e mais pontos positivos para o hostel. Você paga o passeio no hostel, eles te buscam e trazem de volta ao mesmo, além de economizar tempo procurando agências na cidade, pode ainda fazer mais amizades com outros hóspedes.

6. Tamanho dos lockers

Quando falamos em América, segurança é algo de certa forma ausente, e qualquer descuido pode nos trazer prejuízos. Por isso, se o hostel oferecer um locker grandão que caiba sua mochila cargueira, muitos pontos para ele! Alguns hostels oferecem aqueles lockers que ficam logo abaixo da cama, nestes dificilmente você conseguirá colocar sua mochila completa, só talvez itens de valor e algumas roupas, tendo que deixar sua grande mochila na cama ou encostada do lado dela. Um dos maiores lockers que já vi nestas viagens foi o do Pariwana Hostels de Lima, no Peru, cabia não só a cargueira de 60 litros como também a bagagem de mão que levei! Outros oferecem apenas um conjunto de lockers na recepção para você guardar itens de valor. Daí fica a dica, cuidado com seus pertences de valor nos quartos!

Pariwana

Lockers no Pariwana Hostel, em Lima, Peru. Fonte: Site Oficial

7. Certifique-se se o hostel é ou não de “festas”, ou se está em um bairro de baladas

Um dos comentários mais comuns que leio em sites como Hostelworld e Trip Advisor é que a pessoa reclama da estada por não saber que era um party hostel, e então não teve boa noite de sono por conta do barulho etc. Fica então o alerta: Saiba onde está se metendo! Sim, Party Hostels são extremamente propícios para socialização, mas muitos de seus hóspedes são long term backpackers (mochileiros de longos períodos) que caso não tenham aquela noite de sono excelente, sem problemas, ainda possuem mais duas semanas para colocar em ordem naquele lugar, na próxima cidade ou no dia seguinte o mesmo. Por isso, cabe ao viajante que quer um hostel legal pesquisar antes, por exemplo, se há bar no hostel. Normalmente estes bares são locais para as festas, ou mesmo happy hours. Caso ainda sim queira arriscar um party hostel e ter uma boa noite de sono, veja com o mesmo se há quartos superiores disponíveis longe do barulho da festa lá de baixo. (ou lá de cima!) Outra questão envolve hospedagem em bairros tradicionais por baladas, neste caso, o barulho provém de fora, então você que deve sacar se arrisca ou não, pois normalmente nestes hostels o entra e sai é durante toda a madrugada (já que não possuem restrição de horário de entrada dos hóspedes e as atividades no próprio hostel costumam ser escassas).

8. Veja fotos do hostel além das fotos bonitinhas da gerência

Muitos hostels disponibilizam em seus sites, páginas no Facebook ou nos já citados Trip Advisor e Hostelworld fotos lindas do local, só que ao chegarmos ocorre aquela surpresa de não ser igual descrito. Então, veja fotos que os viajantes postam no Trip Advisor, pesquise hashtags do nome do hostel no Instagram (sim, isso já funcionou comigo) e até no Google Imagens para ver fotos reais, pois obviamente os hostels não mostrarão o lado ruim do meio de hospedagem nas imagens.

9. Veja se há estabelecimentos comerciais próximos ao hostel

Este item é essencial, já que normalmente sai mais barato você preparar sua comida do que comer fora todos os dias, então é conveniente checar se há mercados e supermercados próximos ao seu hostel, já que isso pode ser uma mão na roda para preparar aquele jantar/almoço ou mesmo café da manhã em hostels que ofereçam cozinha aos hóspedes. Isso vale também para quem não tem habilidades na cozinha ou não quer simplesmente cozinhar/preparar nada; veja se há cafés e restaurantes na região do hostel, isso pode ser mais cômodo mesmo que custem alguns pesitos a mais.