Sigo minha saga de visitar ao menos uma cidade em todos os países da América. E o sétimo capítulo desta aventura chegou na metade do mundo, ou melhor, na cidade de Quito, Equador. Além de meu objetivo pessoal, também buscava conhecer um pouco deste que foi eleito em 2016 destino líder da América do Sul pelo World Travel Awards. Reconhecimento é algo que faz parte da capital equatoriana, que é a segunda mais populosa do país, perdendo apenas para Guayaquil e em 1978 foi nomeada pela Unesco Patrimônio Cultural.

Quito é só uma das cidades que merecem visitação no Equador, há muitas outras que confesso fiquei balançado de incluir nessa viagem, porém pelo curto tempo, destinos como Cuenca, Mindo, Baños, Puyo, Montañita e as incríveis (e caras) Ilhas Galápagos ficarão para uma próxima oportunidade. Salienta-se que o país ainda é muito desconhecido pelos brasileiros turisticamente, não vi um brasileiro por lá durante a estada, apesar de locais me contarem que houve aumento de visitas de brasileiros. A seguir conto algumas das atividades recomendadas em Quito e algumas impressões gerais da cidade.

A primeira dica de todas é: Pegue leve no primeiro dia! Isto praticamente é um clichê para cidades de alta altitude como Quito, lá são 2850 metros acima do nível do mar, e por mais que você ache que “ah, não vou sentir nada”, o organismo sempre manifesta de alguma forma a mudança brusca de ambiente. No meu caso, sofri nos primeiros dias com a falta de apetite, mas claro que há pessoas que relatam outros sintomas do famoso “soroche”, como dores de cabeça, vômitos, entre outros (haja chá de coca e derivados para amenizar os efeitos).

Quando pesquisei voos para o Equador, a primeira companhia que fui atrás foi a Tame, pois havia lido que a mesma era a única que oferecia trechos diretos do Brasil ao país. Porém pelo que constatei não mais é oferecido este voo direto, de forma que o acesso ao país muito provavelmente será via Bogotá, pelo ótimo Aeroporto El Dorado, ou via o Aeroporto Jorge Chávez, em Lima, partindo-se de São Paulo.

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Aeroporto Mariscal Sucre

O Aeroporto Mariscal Sucre é um dos mais modernos que visitei nas Américas, claro que isso se deve ao seu curto tempo de operação (foi inaugurado em 2013), mesmo estando afastado do centro de Quito, oferece a maioria das facilidades necessárias para um turista em trânsito ou mesmo que desembarcará no país do presidente Rafael Correa. E nada melhor do que ter descontos já de cara! Do aeroporto, 24h por dia, 365 dias por ano, parte um ônibus da empresa Aeroservicios (com Wifi que funciona e cadeiras mega confortáveis), que nos deixa no aeroporto antigo de Quito, na zona norte da cidade, no hoje Parque Bicentenário. O preço normal do bilhete é 8 dólares, porém, turistas estrangeiros pagam 6 dólares, algo que achei sensacional, já que por exemplo com 2.50 dólares é possível comer bem por lá.

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Paisagem na rota do Aeroporto Novo ao antigo

Fiquei hospedado em um hostel próximo da região central de Quito, o Community Hostel, que comentarei no final. Já adianto que se busca facilidades, o melhor é se hospedar em El Mariscal, a chamada “Gringolândia” de Quito, principalmente pela segurança e oferta maior de restaurantes, bares, mercados, casas de câmbio etc.

Sem dúvidas um dos passeios mais recomendados na cidade (ou melhor, nos arredores) é um até a Metade do Mundo, ou Mitad del Mundo. Pagando 10 dólares na Community Adventures, agencia do hostel, ganha-se transporte ida e volta e guiamento em inglês. Mitad del Mundo mostra a exata marcação da Linha do Equador, e basicamente é constituído pelo Musei Inti Ñan, que é o real meio do mundo, onde você poderá experienciar algumas coisas interessantes cientificamente falando por se estar na metade do mundo, como por exemplo, equilibrar um ovo, ter um quilo a menos do que o normal e um dos mais legais, caminhar na linha do equador sem perder o equilíbrio, já que as forças que agem sobre o corpo nesta caminhada tendem a nos desequilibrar muito facilmente.

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Mitad Del Mundo Real

Há poucos metros dali está o monumento Mital del Mundo, que seria a metade do mundo “fake”, já que estudiosos comprovaram que aquele não era o ponto real do citado meio do mundo, e sim o que passa hoje pelo Museu Inti Ñan. As saídas para este passeio ocorrem às 14h30, e no caminho de volta é possível parar no telefériQo de Quito e fazer uma visitinha também.

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TeleferiQo, com Q de Quito

Também é recomendado, claro, de praxe, realizar o Free Walking Tour da cidade. Ele percorre as ruas do centro histórico da cidade, e é no famoso esquema “pague o quanto acha que vale, ou gorgetas”. É bacana pois aqueles avisos de segurança da cidade são passados, e claro que é também uma ótima chance de conhecer um pouco da história equatoriana. Saem diariamente da Community Adventures às 10h30 e duram cerca de 3h30.

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Uma das Plazas de Quito

Ou seja, se chegar cedinho em Quito, as atividades citadas já podem compor um dia inteiro de atividades na cidade, terminando por que não com uma visita ao bairro boêmio “La Ronda”, próximo do centro, que é o point onde os autóctones se aglomeram para curtir uma cerveja, comer ou mesmo provar o ótimo Canelazo (minha segunda bebida favorita até hoje na América, só perde para o Pisco). O Canelazo é composto por uma mistura de aguardente, açúcar, canela e frutas como amora, maracujá, naranjilla (lulo na Colômbia, fruta típica dos Andes) entre outros. É ótimo para o frio, e uma apreciação lenta é algo sensacional!

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La Ronda, durante o dia

O Centro Histórico de Quito é recheado de prédios bem cuidados e de excelente arquitetura, além de inúmeros museus, que são dos mais diversos temas, estando espalhados pelo Centro. Uma manhã ou tarde caminhando por lá é algo a se recomendar, claro que não esqueça de se hidratar e usar muito protetor solar! Pode-se terminar visitando a Basílica del Voto Nacional, uma construção imponente vista de diversos pontos altos da cidade, e que por dois dólares você pode ainda visitar o topo da mesma, e ter mais vistas de tirar o fôlego.

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Basilica del Voto Nacional

Aliás, mirantes para ver a cidade do alto é o que não faltam. Só para citar alguns, o Panecillo, TelefériQo (se estiver no pique, faça o passeio pela manhã, e faça uma das trilhas do topo do teleférico ao cume do vulcão Rucu Pichincha, são aproximadamente 5 horas no total, incluindo ida e volta), a Basílica del Voto Nacional, Parque Itchimbia são só alguns destes pontos.

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Plaza Grande

Se optar por passear pela manhã pelo centro, a tarde pode-se visitar El Mariscal. Por lá você encontrará ótimos bares, restaurantes, hostels, o Mercado Artesanal La Mariscal (que é uma opção a quem não pretende ir até Otavalo fazer umas comprinhas) e baladas. Mas aí vocês me perguntam: o que vou fazer em uma balada no período da tarde? Bem, não necessariamente no começo dela, mas no final dela, as baladas já começam a abrir, isso pelo fato de que a vida noturna em Quito costuma começar cedo e acabar cedo. Passei 20h na porta de uma balada e pessoas já estavam lá dentro dançando e se divertindo.

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Foch Yeah

Outros dois roteiros de dias inteiros merecem atenção dentro do planejamento da estada em Quito. O primeiro deles é a ida até a Laguna Quilotoa, um lago de origem vulcânica que oferece paisagem sensacional e aguas verdes como meu Palmeiras rs. Um tour de um dia ao local sai por cerca de 50 dólares. Particularmente, não me vi tão atraído pelo day tour, mas sim pelo que os mochileiros chamam de “Quilotoa Loop”. Esta é uma aventura de 3 a 5 dias percorrendo cidades próximas ao lago, muitos destes “pueblos” com suas peculiaridades, e claro, caminhando. Há pontos específicos com existência de hostels, portanto, caminha-se durante o dia e a noite há a opção de pernoitar em um dos hostels, em diárias que figuram entre 8 e 15 dólares. Pelo curto tempo não pude participar desta aventura, mas sem dúvidas é um dos mais incríveis tours nos arredores de Quito!

Finalmente, o último day tour é ao majestoso Parque Nacional Cotopaxi, sede de um dos vulcões mais deslumbrantes do país, o Cotopaxi. O tour sai por 55 dólares e inclui café da manhã, almoço, transporte, bikes para descida e ingresso de entrada ao parque. Dedicarei um outro post exclusivamente a este tour, já que é uma experiência assaz compensadora. O vulcão esteve em erupção há pouco mais de um ano, mas hoje a situação está normalizada.  O curioso é que no caso de uma erupção, as cidades nos arredores não sofreriam com a lava, mas sim com…Água! Isso por conta do derretimento dos picos nevados que poderiam causar inundações em regiões próximas.

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Parque Nacional Cotopaxi

Quito tem uma bela história, bela arquitetura, e pessoas “buena onda”, porém foi uma das cidades em que a sensação de insegurança nas ruas mais esteve presente, comparando-se com outras cidades latinas. Dá 21h e o centro histórico fica absolutamente vazio, sem nenhum estabelecimento aberto. Os autóctones informam que não é recomendado caminhar a noite por aqueles lados, e notei o motivo.

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Ruas do Centro de Quito

O Panecillo, por exemplo, possui acesso via caminhada, porém é extremamente desaconselhado pelos locais por ser quase 100% certo que irão te roubar na subida rumo ao local. O próprio local, em si, no topo, possui policiamento (daí não entende-se o motivo de não expandir este policiamento para os arredores). Táxi é extremamente barato, e outra coisa que os Quitenhos não lidam bem é com notas altas de dólar. Se você vai comprar algo na cidade, não use notas maiores que 20 dólares, quase certo que não irão aceitar. Tente deixar em notas menores.

Não é só o fato de usar o dólar americano que deixa Quito mais próximo da terra do Tio Sam. Quito em si recebe milhares de turistas estadunidenses, muito disso fruto dos baixos preços mesmo usando dólar, e da extensiva campanha de promoção de turismo do país, onde o slogan é “All You Need Is Ecuator”. Por lá o inglês falado por guias de turismo é bem melhor do que na Bolívia ou Peru por exemplo. A maioria dos turistas que conversei passava por Quito e tinha como destino Colômbia, cidades de Mindo ou Baños, no Equador, e as Ilhas Galápagos. Para muitos, é ainda o começo de uma viagem pela América do Sul que por vezes se inicia na Colômbia. Ou o contrário, muitas vezes é o final, pegando fluxo de turistas que já conheceram toda a América praticamente e estão prestes a atingir a América Central.

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Mitad del Mundo fake

A diversidade equatoriana impressiona. Vulcões, lagos, Florestas, Natureza, História. Quer se aproximar da natureza? Tudo que você precisa é o Equador.

Sobre o Community Hostel: Fiquei em um dormitório de 6 camas por dez dólares a diária. O hostel em si tem um ótimo staff, camas confortáveis, café da manhã pago (pouco menos de 3 dólares) e jantares (por exatos 3 dólares) excelentes por sinal. Bom Wifi, banheiros espaçosos e em quantidade razoável. A agência do lado do hostel é uma mão na roda já que assim se pode reservar os melhores passeios sem sair do hostel praticamente.

São 3 andares e há apenas dois inconvenientes. O primeiro deles é justamente a recepção estar localizada no terceiro andar. Não por conta de ter que subir escadas (tá bom, é ruim se pensarmos que estaremos carregando uma mochila de mais de dez quilos ou malas), mas principalmente por conta do controle de acesso dos hóspedes. E o segundo inconveniente é justamente quanto à segurança, não há qualquer controle de entrada e saída, nenhuma pessoa controlando acesso, o que pode gerar problemas futuros. A atmosfera em si do hostel é excelente, muitos backpackers e os jantares são uma ótima oportunidade para integração, assim como as aulas de salas, pub crawl, language exchange dentre outros eventos realizados por lá.