Sem dúvidas um dos pontos altos de minha passagem por Quito e seus arredores foi a visita ao Parque Nacional Cotopaxi, sede do magistral vulcão Cotopaxi, um dos mais altos do mundo, com altitude de 5.897 metros. Resolvi dedicar um post exclusivo a este passeio por ser uma ótima opção de Turismo Vulcânico acessível e que é uma experiência de tirar o fôlego, literalmente.

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Cotopaxi

O Cotopaxi está localizado cerca de 75 km da cidade de Quito, e já registrou mais de quarenta erupções na história, a última ocorrida em agosto do ano passado e que causou transtornos por conta das cinzas vulcânicas, fechando o parque e claro, trazendo preocupação para as cidades próximas. Porém o gigante se acalmou e lá pude estar pouco mais de um ano depois.

O Equador é uma terra recheada de vulcões, sendo o mais alto deles o Chimborazo, com seus 6.268 metros. Sua localização no chamado “Anel de Fogo do Pacífico”, um alinhamento de vulcões terrestres e submarinos em falhas no oceano, faz com o que o país tenha até uma “Avenida dos Vulcões”, onde se pode admirar a existência destes potenciais vilões. Claro que o Cotopaxi seja talvez um dos mais “promovidos” turisticamente tanto pela sua acessibilidade como pela sua imagem imponente unida a seu pico nevado que chama a atenção.

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Entrada do Parque

Como citei no post sobre Quito (leia AQUI), comprei este day tour na Community Adventures, agência que fica ao lado do Community Hostel, próximo ao centro de Quito, pelo valor de 55 dólares.

Este valor inclui:

Café da Manhã (delicioso aliás)

Almoço

Guia bilíngüe (espanhol e inglês)

Bicicleta de 21 marchas

Equipamentos de segurança

Água e Chá

A saída ocorreu às 07h15 da manhã, e são oferecidas duas opções de locais de encontro, uma próxima ao centro, no Jumandi Coffee & Bar e outra no Magic Bean Restaurant, que fica no bairro El Mariscal. Sem atrasos, partimos em um micro-ônibus com várias bikes em cima e um grupo de aproximadamente 15 pessoas rumo ao vulcão. Basicamente o grupo era constituído de europeus, e no caminho o guia já dava explicações gerais da cidade e comentava sobre o nosso roteiro do dia.

Depois da parada para o café, fomos até a entrada do Parque Nacional Cotopaxi. Lá, o guia registra nossa entrada e temos algum tempo para ir ao banheiro, comprar água e snacks, souvenires e o principal: luvas. Quando perguntei a uma alemã no dia anterior da real necessidade das luvas, ela me comentava que sim, era essencial e eu saberia o motivo lá. Apesar de já ter o meu par reservado, não fiquei muito aflito com isso, mas saberia mais tarde o real motivo de solicitarem luvas. Não só luvas.

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Subida até o Refúgio

É solicitado por parte dos guias que se leve muita água, snacks, protetor solar, gorro, óculos de sol (apesar de não haver muito sol por lá, há muita areia), jaqueta impermeável, tênis confortáveis para caminhadas e claro, jaquetas para proteção do frio. Depois de checar estes itens mais uma vez, rumamos para dentro do parque, e chegamos ao estacionamento que é ponto de início da subida até o Refúgio Jose Ribas, que está a 4.864 metros de altitude, e é o ponto que nós, como meros turistas e excursionistas podemos chegar. A partir daí, para se chegar ao cume, só sendo profissional e tenho certeza que aí que a brincadeira fica mais emocionante.

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Estacionamento que marca o início da trilha de subida ao refúgio

A subida sinceramente não é muito longa quanto aos metros percorridos, lá do estacionamento você consegue ver o cume do Cotopaxi, tive sorte de ter uma ótima visibilidade no dia dos arredores, uma pena não estar com tanta neve quanto imaginava que estaria. Sobe-se de aproximadamente 4500 metros até os citados 4864 metros, ou seja, pouco mais de 300 metros. Mas as condições climáticas é que irão definir o tempo de subida.

No nosso caso, ventava muito, muito mesmo, o que prejudicava a caminhada, lembro que nos primeiros metros meu ouvido começou a doer, mas depois de alguns minutos melhorou. A areia vem diretamente no seu rosto, de forma que todo o grupo sobe em passos lentos, e todo cuidado é pouco para não levar um belo rola por lá. As luvas são essenciais pois evitam que nossas mãos “congelem”, tanto na subida, descida, como no downhill com as bikes. Nosso grupo levou aproximadamente 40 minutos para atingir o refúgio, lá podemos nos hidratar, comer, e beber algo quente também, afinal o frio é bem intenso. Fica-se um tempo no refúgio e inicia-se o descenso pelo mesmo caminho para a segunda parte do tour.

A descida já tinha menos vento, o que ajudou para que ela ocorresse em pouco mais de 20 minutos. Evidentemente há as paradas para fazer fotos neste roteiro, tanto na ida como na volta, por isso pode-se levar uma tempo maior.

Já bate um esgotamento quando se chega novamente no estacionamento, mas ainda faltava a descida nas bikes. Entramos no micro-ônibus e depois de alguns minutos paramos no local que iniciaria nosso downhill. Equipamentos de segurança colocados, instruções dadas e partimos em um trajeto que nos levaria até a Laguna Limpiopungo.

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Nosso bus e bikes

O mais difícil sem dúvidas é o trajeto cheio de areia, por vezes temos a impressão de que vamos perder o controle da bike, e você nem precisa acelerar a bike já que é uma descida, deve-se dosar bem o freio para que não haja queda no trajeto. No meu grupo houve uma queda que por sorte não passou de alguns arranhões para a moça, cerca de 20 minutos depois de iniciarmos as pedaladas estávamos na Laguna Limpiopungo. Quem não se sente confortável em pedalar pode abdicar desta parte e seguir de ônibus para o mesmo ponto. Pode-se observar algumas belas paisagens no trajeto, e o lago no final é a cereja no bolo, com o Cotopaxi ao fundo,  um local bem agradável apesar dos fortes ventos que também ocorrem nessa parte do parque.

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Laguna Limpiopungo

Esta é a última parada do passeio, depois o almoço ocorre por volta das 14h30-15h e se regressa a Quito. Este passeio é excelente principalmente para mostrar que não é só pegar sua mochila e partir para fazer trilhas em montanhas mais altas ou vulcões achando que já está preparado (a) e que é fácil subir. Recomenda-se fazer este passeio já nos últimos dias em Quito, pois assim se atinge um bom nível de aclimatação suficiente para ascender ao refúgio sem problemas. É um bom começo para quem deseja alçar literalmente voos mais altos, como o Chimborazo, maior vulcão do país ou mesmo montanhas em outros países latinos. Se passas pelo Equador, visite o Cotopaxi e teste um pouco das suas capacidades físicas!

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Vista do Cotopaxi da laguna