Buenos Aires, Parte 1: uma relação de amor e ódio

Confesso que demorei muito para escrever esse post embora ele já figurasse nas minhas pautas há muito tempo. É até estranho não ter já relatado essa que foi uma das minhas melhores experiências viajando , e claro, por ter sido minha primeira viagem internacional sozinho possui um carinho especial. Buenos Aires tem muita coisa para falar e a intenção deste e do próximo post é mais passar minha experiência na cidade e em alguns atrativos do que propriamente mostrar todos os detalhes dos mesmos. A primeira parte segue agora, mostrando um pouco das observações gerais dessa cidade que constrói uma relação de amor ou ódio com quem a visita. Na segunda parte focarei nas vivências nos atrativos.

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Ruas do Centro

Final de 2013 e estava cheio de ficar em casa nas férias de trabalho, e foi então que coloquei a idéia de ir para a Argentina por 10 dias sozinho na cabeça, para inaugurar minha saga na América e no mundo. Obviamente que ouvi muitas reprovações, principalmente pelo fato de ir sozinho. Mas justifico desde já, Buenos Aires é uma ótima cidade assim como Santiago, no Chile,  para ganhar aquele carimbo de estréia no passaporte, principalmente por contar com muitas, muitas informações na internet e guias de viagem, o que facilitam muito para quem planeja algo de forma independente.

Por falar em passaporte aliás, eu sequer tinha um! Resolvi tirar para essa viagem e em pouco mais de quinze dias já estava com o meu na época em mãos. Aí restavam algumas pendências: Onde ficar? Que roteiro fazer? Que moeda levar? Portunhol dá para se virar?

Primeiro, onde ficar. Bem, de cara, eu me apaixonei pelo Milhouse Hostel, no centro, muito por conta das fotos e relatos, e também pela estrutura que demonstrava oferecer. E o que mais me chamou a atenção era o conceito de “Party Hostel” que eu nunca tinha presenciado até então, e que seria perfeito para alguém sozinho (ou seja, para socializar era uma ótima). Fui então reservar o hostel pelo site deles, super intuitivo (e barato, o que é melhor ainda) e começei a encher a caixa deles de e-mail com perguntas de atrativos ou de itens gerais da cidade.

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Saudades da Copa!! Mural no Milhouse Hostel

Muito solícitos, me ajudaram muito. Aliás ajudou também o Youtube, fica a dica, se tiver algum hostel que quer conhecer por meio de video, digitem lá no site o nome e quem sabe há vídeos gravados no meio de hospedagem. Isso ajuda a ter uma impressão geral (se não for um video corporativo) mais real do que o lugar eventualmente vende. Hoje eu ficaria de novo, claro, no Milhouse, são duas unidades no centro enormes, com um bar ótimo e quartos também sensacionais, além de walking tours e passeios pela cidade, câmbio, baladas etc. Só uma ressalva: se quer fugir de brasileiros em BsAs ou se sente mais seguro estando em grupos de brazucas, esqueça e encare respectivamente o Milhouse, pois brasileiro é o que não falta por lá.

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Obelisco

Aliás, melhor dizendo, talvez eu dividiria minha estada entre Milhouse e algum hostel em Palermo, que é o point de restaurantes e bares descolados que apesar de ter ficado 9 dias não explorei taaaanto quanto gostaria.

No começo cito da relação de amor e ódio que os visitantes possuem com a cidade. Isso se deve a algumas situações que presenciei. Já vi viajantes detonando a cidade, que é suja ou mesmo chata, como já vi outros dizendo que foi a melhor experiência que tiveram na América. Então tudo depende do que visitou, das pessoas que se relacionou, do clima (sim, BsAs chovendo é um saco sim) entre outros vários fatores. Mas é sempre bom dar uma segunda chance a cidade, não é?

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Luna Park, casa famosa por receber muitos shows por lá

Outro ponto, o Portunhol. Gente, não é que vi pessoa pedindo café de la mañana? Kkk Sim, prática do portunhol, que como costumo dizer, não existe, não é idioma, evidentemente. Eu tinha um nível iniciante de espanhol quando fui e o portunhol mais atrapalhou do que ajudou. Teve uma argentina que sugeriu até falar em inglês comigo e deu mais certo do que o espanhol, pelo fato de ter um nível maior comparado com espanhol.

Então, na dúvida, aprenda pelo menos o básico quase intermediário de espanhol. O jeito portenho de falar é mais complicado sim de entender, e nós, brasileiros, caímos muito nos “falsos amigos” do idioma e os argentinos fazem aquela cara de “WTF?”. Hoje em dia já me viro melhor no espanhol, então será uma boa quando voltar atestar essa coisa do idioma. Outra dica é estudar as gírias e frases tradicionais da cidade, isso ajuda para o caso deles falarem algo que só se fala daquela forma em Buenos Aires, e nós, desavisados, não sabíamos.

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Na época que fui o Metallica estava prestes a tocar por lá. Vi o show deles em São Paulo mesmo

E qual moeda levar? Na dúvida, leve de tudo um pouco. Eu levei Travel card, reais, dólares e comprei pesos argentinos no Brasil (Bom me dar um desconto né, viajante de primeira viagem haha não recomendo comprar hoje em dia), mas hoje, eu levaria principalmente dólares e se não pretende sacar diversas vezes, até o cartão de crédito brasileiro habilitado para saques no exterior, pois aí você já consegue sacar em pesos argentinos. Um amigo até arriscou trocar dólares na Calle Florida, mas eu não fui muito nessa, preferia trocar na casa de câmbio, isso pelo fato de que notas falsas são um grande problema para os estrangeiros que visitam a cidade.

Por último e não menos importante, o roteiro. Como dividir, quanto tempo ficar depende muito do que você pretende visitar, mas indicaria de forma geral uma semana. Se tiver muita coisa para ver e se quiser dar aquela esticada famosa até Colônia no Uruguai, então dez dias podem ser suficientes. Agora se quiser fazer aqueles passeios de um dia como o da Delta do Tigre, ou mesmo dar uma visitadinha em alguma cidade vizinha (La Plata, Córdoba, Rosário, entre outras) ai uns quinze dias ou mais seriam indicados.

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Esse “bostero” acabou com meu Palmeiras na Libertadores, mas vale visitar o Museu de la Passion Boquense em BsAs

No meu roteiro tinha muita coisa que queria visitar (e ainda faltaram algumas por alguns imprevistos) então dividi o roteiro por bairros a cada dia ou mesmo conjunto de atrativos próximos, o que me fez aproveitar bem a cidade pois por volta das 15 horas normalmente já tinha feito tudo que havia planejado no dia, restando tempo para aproveitar alguma dica de alguém do hostel ou mesmo de algum companheiro de viagem que conheci pelo caminho.

Há dois aeroportos que servem quem chega na cidade, o maior é o Aeroporto Ministro Pistarini, o famoso Ezeiza, que é uma espécie de Aeroporto de Guarulhos argentino, ficando afastado da cidade, e o outro é o Aeroporto Jorge Newbery, ou Aeroparque, que fica na própria cidade nas margens do Rio da Prata, e que foi o que usei tanto na chegada como na saída da cidade.

Para quem chega ou vai por Ezeiza, é conveniente usar o ônibus da empresa Manuel Tienda León até a cidade e dependendo de onde estiver aí sim tomar um taxi. Eles vão até o Aeroparque e também até Puerto Madero, por um preço de aproximadamente 47 reais. Para quem chega no Aeroparque os taxis são uma boa opção (ou Uber) mas corre o risco de você pegar algum que queira fazer quase um city tour com você pela cidade e consequentemente fará pagar mais caro (foi o meu caso haha).

Sobre a segurança na cidade, é sempre interessante tomar aqueles cuidados típicos de toda cidade grande e da maioria das cidades brasileiras. Não me senti inseguro por lá mesmo no centro, mas é bom não vacilar, principalmente em locais com grandes aglomerações.

No próximo post comento um pouco dos atrativos em si, e minha percepção deles.

 

Um comentário sobre “Buenos Aires, Parte 1: uma relação de amor e ódio

  1. “Café de la mañana” GAHAHA muito bom! Portunhol rende uns “momentos mágicos” desses! Faço parte da turminha do “ódio” com Buenos Aires, infelizmente… Não exatamente ódio, mas do “não tô entendendo o que aqui tem de sensacional”. Quero voltar pra descobrir!

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