Projeto “Bolivianos conhecem o mar” em Santos, São Paulo

A Bolívia faz parte do já clássico roteiro de mochilão na América do Sul que normalmente engloba Chile e Peru, sendo muito atrativo para nós brasileiros pelos baixos custos, natureza exuberante e cultura. Este fluxo também tem um sentido contrário, não por conta do turismo,  mas sim por conta da busca de melhores condições de vida para os bolivianos que se aventuram em países como Argentina e o nosso Brasil.

Uma questão que muitos acabam não notando é que a Bolívia não possui mar. Possui o Lago Titicaca, maior lago em altura do mundo(3.812 m) dividido com o Peru (cuja divisão é assunto polêmico no que se refere a quanto por cento do lago fica no lado peruano e quanto fica no lado boliviano, confiram o post que fizemos das aventuras no lago pelo lado peruano AQUI) , mas não uma saída ao mar. Estudos da organização não-governamental Oxfam revelaram que a falta de acesso ao Oceano Pacífico faz com que o país deixe de crescer pelo menos 1,5 % a mais ao ano, o que além de impactar na economia, impacta também na cultura dos bolivianos, que se apresentam como pessoas que muitas das vezes não possuem a oportunidade de conhecer o mar.

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Lago Titicaca, Lado Boliviano. Dezembro de 2015.

Com um considerável contingente de bolivianos que escolheram São Paulo como a cidade para conseguir melhores condições de vida do que as vividas na Bolívia, um estudante do Curso de Gestão de Turismo do Instituto Federal de São Paulo, Luciano Trancoso Pedreira, resolveu inovar e colocar em prática uma proposta de trabalho de conclusão de curso baseada no desafio proposto  “Bolivianos conhecem o mar”, que abrangia proporcionar para a comunidade boliviana de São Paulo a possibilidade de conhecer o oceano, em Santos, São Paulo, com outras atividades inclusas em um roteiro de 1 dia.

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Luciano Pedreira (em pé, ao centro)

Com auxílio do coletivo “Si Yo Puedo”, que é formado por voluntários de várias nacionalidades que atuam promovendo ações de acolhimento, orientação profissional e apoio aos imigrantes na cidade, Luciano planejou os detalhes e programação da excursão que culminou na sua realização em 26 de  novembro de 2017.

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Sobre a ideia de atuar com os bolivianos, Luciano comentou: “Estar em contato e desenvolver amizades com a comunidade boliviana, através do Coletivo foi extremamente gratificante. Consegui ver de perto a realidade deste povo irmão, que como tantos outros, sai de sua terra natal e do convívio com seus amigos e familiares em busca de melhores condições de vida. São pessoas que trabalham duro e que sentem uma alegria de viver muito grande mesmo enfrentando várias dificuldades e limitações.”

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Usando o ideal do Turismo Social, de promover acesso às viagens ao maior número de pessoas, Luciano usou como critério de seleção a alta frequência nas aulas de português oferecidas pelo coletivo, como também pessoas que nunca haviam visto o mar.

Algo ainda curioso sobre a questão da Bolívia não ter mar, o país possui uma Marinha com quase 5000 homens, criada em 1963 pelo presidente Víctor Paz Estenssoro, contando também com diversas embarcações.  Todo ano os bolivianos celebram o “Dia do Mar”, em 23 de março, para se lembrarem de quando perderam o litoral para forças chilenas na Guerra do Pacífico.

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Sobre o feedback recebido e percebido dos bolivianos, Luciano comenta que “a pesquisa feita com o grupo pré-viagem confirmou o que já havia pesquisado, a motivação principal como trabalho e melhores condições de vida, vindo a maioria para morar com amigos ou parentes. Entre eles, o índice de desemprego é baixo, apesar de que o trabalho é quase que totalmente na informalidade. O grupo da Kantuta (localizado nas cercanias da conhecida Praça Kantura, onde aos finais de semana ocorre a Feira da Kantuta, próximo ao metrô Armênia, em São Paulo) sente falta da participação do Instituto Federal de São Paulo mais ativamente, sendo este o primeiro projeto que contemplou a comunidade do entorno. Apesar da baixa renda, a pesquisa feita pós-viagem mostrou que a maioria (85%) estaria disposto a pagar um valor de até R$100,00 por um passeio como o que fizemos, o que nos motivou a promover um passeio idêntico no fechamento do semestre de 2018 com mais pessoas, pois o índice de procura foi maior do que o que podíamos levar”, finalizou.

O roteiro organizado incluiu uma visita ao Aquário de Santos com visita à  praia Aparecida próxima ao canal 5. Para tornar este momento ainda mais marcante, a artista Carolina Velasquez, descendente de bolivianos, foi convidada para preparar uma dinâmica sensorial com elementos relativos à cultura boliviana.

Ações como esta são de extrema importância para promover engajamento social entre imigrantes e algumas das realidades vivenciadas com grande frequencia por nós brasileiros e viajantes. É de essencial importância valorizarmos e fomentarmos ações nestes moldes que só tendem a proporcionar boas experiências ao imigrantes, e para nós, uma maior interação e intercâmbio cultural que nos leve a assimilar e respeitar ainda mais a cultura do próximo.

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